Qualquer coisa que possa me interessar...


O Dia do M - Ou "Peculiaridades Humildemente Comentadas"

O xumbrega primeiro...

Hã? O que comentar?

Parece que vai conseguir divertir, mas não chega a fazê-lo (como já era de se esperar). Dá para deixar aparecer um sorrisinho amarelo com certas cenas, mas é isso aí: filme ruim, não tem jeito. Nem dá para se frustrar. Eu fui assisti-lo para conhecer uma sala nova daqui de Santos, bem boa, pagando apenas R$ 4,00. Então não posso me considerar totalmente um trouxa.

Sim. Mulher-Gato tem todo aquele ritmo exagerado, e também alguns daqueles Ângulos Matrix (como popularmente são chamados nos dias de hoje) nas cenas de ação lotadas de clichês, clichês, clichês, frases de efeito, clichês, clichês, clichês, nada convence. Nem sequer parece se situar na atualidade. Pois muito menos tem ar de futurístico. Nem retrô-futuristico ele chega a ser direito. Muito confuso? Não entendeu? Aí vai: Nem a citação ao Google tira a impressão de que estamos vendo um daqueles filmes metidos à modernos da primeira metade dos Anos 90 (reforçada pela presença da mais que ultrapassada trilha sonora e da sempre embriagada - mesmo sem estar alcoolizada - e, desta vez, fotoshopada Sharon Stone). Nada alí representa criatividade, a não ser, claro, a bizarra veste da personagem interpretada por Halle Berry e a divertida razão para ela ter a idéia de usar chicote. Sr. Pitof não deve ter muito futuro, creio. Ainda preciso ver Vidocq, mas já estou com um pé e meio atrás.

Enfim... Onde gastaram US$ 100 mi alí? Metade foi só para a Sharon? Arremessar bolinhas de dólares à uma lata de lixo seria mais divertido. Coitado do pessoal que estava lá se divertindo todas as noites no prédio em frente ao da Patience (já sei que não é esse o nome da felina nos HQ's, mas pelo que sei quase tudo alí não tem a ver com os HQ's). Ela estragou a festa deles. Pessoal bacana, pô. E outra: o "Miau..." dela até que não foi nada mal, mas só ponho a Michelle Phiffer em Batman - O Retorno de réplica. Por Deus, não me venham com sequência(s). Deixa a Halle querer isso sozinha.

 

("Catwoman", de Pitof - EUA/2004)


O melodramático depois...

Atenção: spoilers presentes no texto.

O mais comum seria ter compaixão pela personagem prestes a morrer de Sarah Polley. Eu tive compaixão por sua amiga compulsiva (Amanda Plummer), por seu marido otimista e ainda apaixonado por ela (Scott Speedman), por suas pequenas filhas (Penny e Petsy), por sua mãe, mal-humorada e encalhada (Deborah Harry), por seu pai, preso e arrependido (Alfred Molina), pelo recém-divorciado e também apaixonado por ela, assim que a conhece (Mark Ruffalo), pelo doutor que ainda aprende a lidar com a profissão de forma mais humana (Julian Richings), pela cabelereira que muito elogia e pouco é elogiada (Maria De Medeiros). Mas não pela Ann, maravilhosamente interpretada pela Polley. Pensarei por quê. E o pensamento será transcrito. Cuidado.

Ela é uma mulher que aprende a não se arrepender do que já fez, mas sim do que não fez. Isso justamente depois de descobrir que está um tumor em estado quase terminal, e que irá morrer em poucos meses. Muito triste por ter que deixar tão cedo todos que ama (e a amam também, ou se fazem apaixonar), Ann resolve fazer uma lista de experiências que ela ainda não teve em sua vida, de como vai lidar com alguns até o dia de sua morte e do que fará para ser lembrada, mas ao mesmo tempo garantindo que todos vivam felizes e da mesma forma que viviam com ela, sem ela.

Já que a personagem principal foi introduzida de maneira tão comum em melodramas, algo me dizia que, na metade final, a diretora Isabel Coixet (também roteirista do filme, baseada em livro de Nancy Kincaid) iria transformá-la em um verdadeiro anjo. Ok, Ann pouco aparenta ser passível a erros (melodrama é isso aí), mas os comete sim, mesmo com seu coração tão aberto. Deve-se reparar. Ann tinha tanta vontade de que tudo terminasse bem, mas demorou a perceber que suas idéias poderiam até garantir muitas felicidades a alguns, mas nem tudo poderia acontecer da forma que ela imaginava. Tal ponto de vista ganha um título perfeito: Minha Vida Sem Mim.

É o que se pode refletir depois do abrupto final, que omite qualquer estágio fisicamente terminal de sua doença (o que obviamente seria percebido por todos que a vissem). Na último trecho do longa, com todas aquelas imagens bonitas em câmera lenta e apenas uma negativa (envolvendo a compulsiva Laurie, que no filme ganha ótimos momentos na pele de Amanda Plummer), não vejo o futuro depois de sua morte. Vejo as imaginações de Ann antes de ou durante seu estágio terminal. Entre todos os seus desejos e a idealização de como eles se realizariam, ela parece se lembrar de alguém tão importante em sua vida humilde, que ela esqueceu em seus planos e deu pouco valor, mas que precisava dela tanto quanto ou mais que os outros, principalmente por ter tanto se identificado com ela, em diversos aspectos. Enquanto isso, o tipo de mulher que Ann tanto queria para substituí-la e aparece de repente (com o mesmo nome) também indica que a idealização é pura, mas não vem de um anjo.

Ei, talvez ela tenha idealizado tudo aquilo enquanto escrevia sua lista. Não é impossível imaginar isso num filme produzido por Pedro Almodovar. Ainda mais com aquele toque surreal nas aparições do homem fazendo sons nas taças de cristal ou na cena do supermercado...

 

("My Life Without Me", de Isabel Coixet - EUA, Canadá, Espanha/2003)


PS - Vi os dois hoje. Sei lá o(s) próximo(s) que verei no cinema.
PS 2 - Comprei DVD de O Ano Do Dragão nas Americanas. U-HU!

Só para constar.



Escrito por LFM às 21h28
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Fahrenheit 11 De Setembro - Sim, sim. Eu vi.

Não vou escrever um longo texto sobre o documentário do Michael Moore. Estou com medo de ficar mais repetitivo do que já sou. Ninguém merece isso (desculpem se a expressão com o tempo ficou irritante de tão popular, ou se alguém tem algo contra os cariocas que adoram usá-la, mas nada cabe mais à situação do que a mesma). Leiam qualquer texto (meio-)elogioso sobre o filme por aí. Ok, vai. Segue abaixo um copiar/colar (alterado em alguns trechos) do que eu escrevi no Fórum Adorocinema:

Não é nem de longe o melhor documentário que vi este ano, mas é um puta filme para se discutir muito sobre. A malhação ao Bush é mais do que apropriada, apesar do Moore abusar de seu direito em muitas cenas, ao retratar dramas ou fazer acusações provavelmente verdadeiras, mas pouco argumentadas, o que põe em xeque sua veracidade.

Houve um baita exagero na cena em frente a Casa Branca (nem tanto na primeira cena, no sofá da casa) com a mãe do soldado morto. Eu já ameacei deixar cair umas lágrimas em cenas mais verdadeiras alí, não precisava forçar a barra. A edição também começa arrebatadora, mas à exemplo de "Hellboy" (que escrevi aqui sobre), perde sua agilidade e se apresenta muito defeituosa ao longo da projeção, o que acaba por enfatizar mais os excessos do Moore para passar a sua mensagem.

Mas ainda sim esse documentário tem um bom final, até pelo desfecho com mais piadinhas (Michael Moore é o atual rei das gags). O filme perde força como cinema mesmo (principalmente dentro do gênero em que é encaixado... se eu fosse dono de uma locadora colocaria este no espaço para comédias ou dramas de guerra), mas é tão interessante ver tudo aquilo, e ver o idiota do Bush ser ridicularizado, que o maior cinéfilo pode relevar isto. Nada de se apegar a personalidade (provavelmente insuportável) do Sr. Moore. Tudo se restringe ao filme citado.

De qualquer forma, o melhor do Moore é seu humilde "Roger & Eu". "Tiros Em Columbine" também merece ser visto. Este pode esperar um pouco. Seu tom de urgência não condiz tanto assim com o que nos é apresentado. O Moore está desistindo de argumentar, só tira sarro. Se bem que já é o bastante para tirar o Dr. Fantástico da presidência...

 

("Fahrenheit 9/11", de Michael Moore - EUA/2004)


Esta semana, no cinema: Minha Vida Sem Mim e Mulher Gato. Sem altas expectativas.

Só para constar.



Escrito por LFM às 16h23
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Mulheres: relatos de diferentes épocas, culturas e (por que não) níveis...

Submissão diante de uma cultura machista? Preconceito ao próximo que gera chavões indevidos? Para lançarem o seu protesto (basicamente) contra a condição das mulheres, em três diferentes situações, dois dramas e uma comédia lançados este ano no Brasil apostam em situações extremas, de sensacionalismo ou de humor, para atingirem ao público. Pena que, neste caso específico, apenas a comédia que anseia mais por diversão do que por discussões pós-sessão consiga estar acima da média.

Em Osama, o estreante na direção e já vencedor de vários premios pelo mundo (incluindo o Golden Globe) Siddiq Barmak, autor também do roteiro, tenta captar o sofrimento das mulheres na cultura afegã em pleno regime Talebã, que cansamos de ver no cinema e na TV. Desta vez conta a história de uma família composta apenas por mulheres, que obriga a mais jovem a portar-se e vestir-se como um menino, cortando o seu cabelo, para poder trabalhar e mantê-las sem qualquer tipo de interferência dos talebãs, ou de qualquer homem no país. Siddiq inicia mais do corretamente o seu longa com uma cena que não só enfatiza o protesto que o filme quer exercer, como cita o trabalho de jornalismo dos estrangeiros de forma tão sutil quanto a introdução que faz de um personagem (menino) importante ao filme. É mais do que uma pena, no entanto, que mesmo com alguns pontos interessantes sobrando (a relação de Osama com o único menino que conhece sua verdadeira identidade, a cena no hospital em péssimas condições que mostra um pequeno menino aleijado que não consegue acompanhar ao mesmo passo todas as pessoas que seguia, ou elenco desconhecido e fotografia corretos) o longa resolva se entregar completamente ao intuito de revoltar ao expectador que vive fora de lá (já que quem vive dentro está mais do que revoltado), expondo-nos a condenação do personagem principal ao prolongado sofrimento, sem ter a mínima vontade de continuar sendo cinema de verdade e terminando seu filme justamente quanto tal fonte de argumentação se esgota e a discussão sobre o tema é inteiramente jogada em nossas mãos. Oras, é só esperar o próximo Globo Reporter explorando o tema e a satisfação será a mesma, além de não precisarmos pagar o ingresso. Afinal, há de se pensar nisso nestes dias.

Obtendo o mesmo tipo de resultado, temos Em Nome De Deus, filme de Peter Mullan vencedor do Leão de Ouro em Veneza, vindo de uma história real que se passou na Irlanda da década de 60, uma época (como muitas outras) em que conventos como o citado no filme, das Irmãs de Madalena, defendiam a idéia de "sofrer para se livrar dos pecados", obrigando moças internadas por familiares a trabalhos forçados e à rígidas regras de disciplina. A tolerância era uma palavra a ser esquecida. Porém, ao contrário do filme anterior, Mullan não se esquece de fazer cinema. Prova ser um excelente diretor de atores, lida bem o suficiente com a passagem do tempo (embora alguns mais desatentos possam ficar com dúvidas durante algumas cenas) e até faz referência ao cinema perante a igreja numa ótima cena, ou critica o descaso da família tida como típica, cheia de idéias ultrapassadas, noutra. O sensacionalismo é que se mostra um grande problema neste longa - de tão mal utilizado pode ser confundido até com sadismo. Mullan não define a personalidade de nenhum dos personagens durante o filme, brincando com o roteiro e as adequando o "suficiente" para qualquer momento de violência moral e física (sexual ou não), e tentando nos causar uma automática revolta. Quando percebe que está perdendo o fio da meada, Mullan pega as internas que na vida real conseguiram sair de lá e atribui personalidades a elas. Apesar do ótimo final, para dar uma provável impressão de preocupação com o tema abordado por parte do diretor (e nem questionarei isso, não o conheço), é impossível não lembrar de que não tinhamos visto nenhum ser humano retratado justamente durante toda a projeção. Muitos protestos, muito dedo apontado, e no fim amigável uma informação positiva: em 1996, tais conventos foram proibidos de existir no país. Se no mundo há a certeza de que não é uma realidade, seria isto ao menos uma realidade na Irlanda? Nem o diretor parece acreditar.

Então, para trazer de volta o bom-humor, nada melhor do que as livres adolecentes de uma das surpresas do ano: Meninas Malvadas, filme de Mark S. Waters (cujos filmes no currículo como Cinco Evas E Um Adão - Head Over Heals e Sexta Feira Muito Louca - Freaky Friday ainda não vi), que na verdade tem é a marca registrada de sua roteirista, a ótima escritora/comediante do Saturday Night Live, Tina Fey. Baseada em um livro de Rosalind Wiseman, Tina exprime todo o talento para sátira que é sua marca registrada nas ótimas temporadas recentes do SNL (em que apresenta o Weekend Update, com as melhores tiradas abordando fatos recentes, ao lado do risonho - e já experiente no cinema - Jimmy Fallon), neste verdadeiro questionamento aos estereótipos que os adolecentes estão tão destinados a fardar neste período escolar (e que afeta definitivamente suas vidas adultas), embrulhado por um humor pastelão de qualidade e estrelado pela sensação do momento, a bela e (não é só isso!) talentosa Lindsay Lohan, que já trabalhou com o diretor em seu filme anterior, sucesso co-estrelado por Jamie Lee Curtis. Ela ainda ganha o apoio de um digno elenco adolecente e adulto (vários membros/ex-membros do SNL) e uma trilha sonora com músicas bem divertidas. Seja com as piadas mais comuns no gênero, ou com as mais embasadas na cultura americana ou até na nossa (cujos hábitos são mais que adaptados da deles), nos divertimos com todas as viradas bobinhas da história e temos um final mais do que bacana, valendo muita reflexão dos adolecentes que o assistem, sobre a definição da própria personalidade, e o quando isso acrescenta na vida e, principalmente, no período/ambiente escolar em que vive.

E é um filme comercial contra dois filmes de arte, caros (cerca de sete) leitores.

       

                 

(idem, de Siddiq Barmak - Afeganistão/2003)
       ("The Magdalene Sisters", de Peter Mullan - Inglaterra/2002)
   ("Mean Girls", de Mark S. Waters - EUA/2004)



PS - A ausência de imagens/links nos pôsters dos filmes se deve ao maldito limite de caracteres. Desculpem minha falha, não proposital. Breve: texto de Fahrenheit 9/11.

Só para constar.



Escrito por LFM às 14h03
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Eu, chato? Longe disso! Pelo menos para filmes...

Para não ficar na aparência de mau humor com blockbusters (o que não é característica minha mesmo, é só ler textos anteriores meus para comprovar), cito outro filme comercial desta temporada que conta com um grande realizador em seu comando, muito dinheiro gasto, e mesmo com a influência dos produtores interesseiros e uma premissa duvidosa (com um tema tão explorado no cinema) conseguiu resultar numa ótima produção: Eu, Robô, lançamento da 20th Century Fox para esta semana.

Reaproveitando um tema pra lá de desgastado, o egípcio radicado na Austrália Alex Proyas (diretor de longas subestimados, mas não pouco polêmicos como O Corvo - The Crow, de 1994 e Cidade Das Sombras - Dark City, de 1998) consegue injetar estilo em mais uma daquelas tramas com um quê de thriller futurístico, embora este seja em sua concepção e desenvolvimento assumidamente ficção científica, e bem menos um thriller. A história, vinda do mesmo roteirista de Final Fantasy (Jeff Vintar), e do oscarizado por Uma Mente Brilhante (Akiva Goldsman), baseados em um livro do cultuado/requisitado/abusado pelo cinema Isaac Asimov, mais uma vez explora um futuro não tão distante em que a robótica na vida do ser humano é mais do que evoluida - é banal. Fabricados para serem utilizados como empregados/auxiliares no dia-a-dia de seus donos, os robôs tem seus modelos constantemente aprimorados (com versões atualizadas).

Sem mais delongas, indo direto ao que difere este de outros com o tema: Na Chicago de 2035, o misterioso suicídio do Dr. Alfred Lanning (James Cromwell), um dos grandes funcionários da U.S. Robotics, começa a ser investigado pelo encarregado Del Spooner (Will Smith), detetive/policial da cidade que tem personalidade forte e concepções sólidas contra a forma em que a tecnologia é usufruida em seu tempo. É, de certa forma, nostálgico e transfere tal atitude para o seu ambiente residencial/de trabalho e em certas ocasiões até por onde passe. Por coincidência ou não, ele acaba encontrando como principal suspeito alguém de dentro da empresa. Ou seria algum? Trata-se do robô Sonny (ótima participação do ator Alan Tudyk), um dos evoluidos NS-5, que mostra um tipo de comportamento diferenciado dos demais. Tal acusação, porém, contraria o código oficial de programação de todos os modelos, chamado "Lei Dos Robóticos", que os impede de fazer qualquer mal ao ser humano. A investigação ganha a ajuda de uma funcionária próxima ao falecido, a Dra. Susan Calvin (Bridget Moynahan), que tem idéias bem destintas das do detetive (o que não impede a atração entre eles, como não poderia deixar de acontecer), e o empecilho de Lawrence Robertson (Bruce Greenwood), alto posto da empresa que defende a todo custo a existência de tais robôs. Algo de complexo parece vir daí, mas todo o desenvolvimento da trama ficou muito de acordo com nossas expectativas, o que diminui um pouco a potencialidade do projeto. A pretensão é de ser grande, e o público pode notá-la desde a primeira cena, mas na segunda metade a trama começa a ser fornecida de forma demasiado mastigada para o expectador, ajudando e atrapalhando o filme ao mesmo tempo. As reviravoltas vão contra a grande moda atual; não são bruscas demais, não correm o risco de irritar o expectador cansado do usual nos thrillers de hoje. Em compensação, a produção perde força para o tipo de expectador que tem gosto pelo raciocínio sobre o gênero que está assistindo, o que faz sua empolgação diminuir um pouco.

Outros fatores, porém, fazem esta produção estar acima da média: o elenco que não compromete (principalmente o Will Smith, que não está muito além das performances de MIB e Independence Day, mas segura bem seu personagem) e o apuro técnico de Proyas, com muitas idéias de ação reaproveitadas, mas ainda ricas em detalhes. Um grande exemplo é uma cena crucial para o longa, quando há uma pequena reclusão do mistério e uma ascensão do sci-fi. Proyas liga uma exagerada cena de ação e explosões a uma ótima cena de luta e uma grande revelação através de um acidente e uma breve ausência de áudio, que vai gradativamente se normalizando de acordo com a audição em recuperação do personagem que sofre o acidente. Este efeito certamente não é inédito, mas poucas vezes foi usado de forma tão sutil e a favor da trama como desta vez. Os efeitos especiais da Digital Domain também reaproveitam muito e inventam pouco (tudo parece uma mistura de Terminator com Star Wars), mas ainda conseguem ser únicos por uma simulação cada vez mais melhorada de movimentos corporais/faciais dos seres humanos, ganhando ainda uma interessante atuação de Alan Tudyk (de Coração De Cavaleiro e 28 Dias), que participou de todas as cenas e teve seus movimentos reais extraídos no mais que conhecido Motion Capture (cujo principal exemplo de eficiência é Gollum, personagem da trilogia do Peter Jackson). Marco Beltrami rende bem mais que em Hellboy, conseguindo sua provável melhor trilha sonora até então, e Simon Duggan traz um intenso colorido a um ambiente futurístico, com sua fotografia.

Não li o original do Asimov, que deve ser bem mais cuidadoso nos detalhes do que este lançamento, e uma obra-prima. Mas este blockbuster pode agradar até ao público mais exigente. Se Alex Proyas estivesse mais à vontade (ou seria com vontade?) para mastigar menos a trama e explorar mais a ambiguidade (que apenas o final reforça), discutindo o tema com algo mais além daqueles valiosos diálogos entre Del Spooner e Lawrence Robertson na primeira cena juntos, o tílulo de grande estaria mais próximo do filme. Mas Eu, Robô não deixa de ser mais uma prova de que diretores mais competentes podem fazer filmes comerciais de qualidade maior, como Sam Raimi e Alfonso Cuarón também fizeram este ano. E você? Se tivesse cerca de US$ 100 mi de orçamento, regras e pessoas para obedecer, mesmo estando no suposto topo da pirâmide? Conseguiria fazer melhor? Porque está difícil encontrar alguém que consiga...

 

("I, Robot", de Alex Proyas - EUA/2004)


PS - Hoje rolou Bicicletas. Amanhã rola Michael Moore. Não. Não é uma piada, estou me referindo a cinema.

Só para constar.



Escrito por LFM às 00h26
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Filmes que REALMENTE poderiam ter sido mais do que uma diversão esquecível.

Parte 2

Citado o mais surpreendente que decepcionante, chega o momento de citar o mais decepcionante que supreendente. Mais decepcionante do que surpreendente, a ponto de poucas palavras virem à mente (porque 1- nunca li os HQ's, 2- enquanto realização o projeto deixa muito a desejar). Mais decepcionante do que surpreendente, a ponto de tudo aquilo que você achava tão legal se tornar medíocre durante o filme. Mais decepcionante que surpreendente, a ponto de ser o filme mais frustrante que vi de um diretor como Guilhermo Del Toro (Mutação é regular, mas nem tem pretensão de ser algo mais; Blade II é divertido na primeira vez, pois promete pouco, mas não sobrevive a revisões; A Espinha Do Diabo é um baita suspense de época; não vi Cronos e anteriores), sendo este um projeto dos sonhos do diretor. Só não é mais decepcionante do que surpreedente por ter uma ótima primeira metade seguida de um desastre de segunda metade, porque isso já virou moda.

Hellboy também tem tensos e ligeiros quarenta minutos inciais, com uma exemplar introdução de todos os personagens (que inclusive trataram de ganhar atores perfeitos para seus papéis, uma lição à equipe do outro filme citado neste texto), e cenas de ação/drama com uma perfeita dosagem de tensão e humor, além dos eficientes efeitos visuais e sonoros, como esperado. É quando pensamos (e com razão) em elevar o filme à posição de grande que ele desanda completamente e resolve reaproveitar todo e qualquer tipo de solução para filmes à serem correspondidos com indiferença (aquele tipo que citei na Parte 1). As cenas de ação continuam lotadas de ótimos efeitos especiais, mas parecem montadas com pressa (uma tem um erro de continuidade gritante, outra reaproveita o estilo O Senhor Dos Anéis de ação e não empolga, outra...), e personagens importantes são desperdiçados. Nem tanto o professor encarnado por John Hurt, mas um pouco a Liz Sherman encaixada perfeitamente em Selma Blair, com poucas cenas apesar do grand finale; um pouco o Abe Sapien dublado por David Hyde Pierce, que não só some do filme na ação final, como não chega a ganhar uma outra cena após a mesma; o Dr. Tom Manning de Jeffrey Tambor, que também desaparece do roteiro do filme e ganha uma cena no meio dos créditos para justificá-la, isso depois de uma cena tão bacana (a única na ação da metade final) em que Hellboy finalmente se entende com ele; o vilão Grigori Rasputin, vivido por Karel Roden, de 15 Minutos e Blade II, que ganha um desenvolvimento medíocre e um final mais ainda, depois de um começo tão bom. Os diálogos afiados dão lugar a dezenas de diálogos padrão de efeito, e o roteiro só continua existindo para retratar a história de amor entre Hellboy e Liz Sherman, que tem um final ótimo, mas que não apaga a frustração. Só nos resta esperar um pouco mais de calma e liberdade para o Guilhermo não escorregar em Hellboy 2.

Um pouco mais, pois ele já teve muito dessa liberdade. Ron Perlman é a prova viva deste argumento. Guilhermo perdeu bastante tempo engavetando o projeto, até que os estúdios (que queriam alguém como Vin Diesel) finalmente aceitassem-no para protagonizá-lo. O nome agradava até ao criador do personagem nos quadrinhos (citados com humor no filme), Mike Mignola. E, além de liderar um elenco que é a única coisa a se louvar, segura o filme com maestria invejável. Seu (bendito) timing, tanto para ação quanto para humor, que funcionava em todos os seus papéis secundários em filmes desde a década de 80, finalmente ganha um papel de destaque, sob maquiagem pesada. Um homem com aparência malígna, com características de vilão, mas com um coração de herói. Ron tem momentos memoráveis, introduzindo na figura de herói um homem durão e apaixonado, o que aliás marca um ponto interessante na primeira metade do filme: a inclusão de aspectos da vida real em um filme de super-herói, que serve destacar longas como X-Men 2 e Homem-Aranha 2. Considerando essas qualidades, é impossível não se frustrar com um desenvolvimento tão esdrúxulo de sua ação na metade final, e não considerá-lo um filme apenas regular. Uma revisão pode torná-lo um pouco melhor que isso, mas apenas um pouco melhor. Posso estar sendo injusto, mas aquela primeira metade merecia mais. Se merecia.

Assistir a um filme que seja mais que isso não é difícil. Hoje, por exemplo, vi o ótimo (e provável filme a ser subestimado) Eu, Robô. Mas isso fica para o próximo texto. Com os temas semelhantes aos dos filmes comentados, me resta louvar filmes como De Volta Para O Futuro, Donnie Darko, ou X-Men 2, Homem-Aranha 2. Esses serão lembrados. Os filmes comentados provavelmente não. Guilhermo Del Toro ainda tem certa chance de salvar sua série, com as continuações. Que o faça.

 

(idem, de Guilhermo Del Toro - EUA/2004)


PS - Já nesta sexta (06/08) sai texto do Eu, Robô. Também vi o desperdício Osama e a surpresa Meninas Malvadas, esta semana. Depois preparo um texto com os dois.

PS 2 - Os próximos confirmados para mim no cinema são Fahrenheit 11 De Setembro e As Bicicletas De Belleville (que finalmente estréia em Santos). Tenho altas expectativas. Qualquer um que eu assistir na telona além desses dois, será surpresa.

Só para constar.



Escrito por LFM às 00h11
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Filmes que REALMENTE poderiam ter sido mais do que uma diversão esquecível.

Parte 1

Quando acabo de assistir àquele tipo de filme que diverte e foge de nossa mente num estalo, posso reagir com indiferença. Ou posso reagir com frustração.

Para a primeira reação, a explicação é simples: corresponde ao que o filme nos oferece e/ou à forma em que nos é oferecido. Trata-se de um exemplar que não tem a mínima pretensão de ser recordado ou sequer discutido após a sessão. Um longa-metragem desse tipo provém de pseudo-realizadores sem o talento necessário para sobressair a influência dos interesseiros executivos do meio, completa ou parcialmente. Não resulta em nenhuma surpresa por parte do expectador. É material empurrado para consumo em estado quase bruto. E são consumidos pelo grande público e correspondidos daquela mesma maneira. Com o dinheiro circulando, óbvio.

Mas chato mesmo é o segundo exemplar. Aquele que tem potencial de ser um grande filme, sendo original ou surpreendendo por reaproveitar bem o seu gênero, e conta com grandes realizadores ou boas revelações em seu comando. São, assim como o primeiro exemplar, tipicamente vindos de um paraíso onde o processo de se filmar/produzir uma obra visual de qualidade tem bem menos empecilhos, mas, por uma razão pouco elucidativa, há durante as filmagens certa ausência de boa vontade ou, mais provavelmente, uma batalha travada entre os diretores engenhosos e os grandes estúdios, pouco conclusiva. Não há grandes vencedores. O grande público dá uma boa resposta, mas nem sempre a que os executivos queriam, porém pouco esperavam. O diretor não obtem o resultado que sua proposta merecia, mesmo depois de ter gasto tanto dinheiro. Um cinéfilo pode ou não se frustrar, dependendo de como o filme foi afetado pelos fatores apresentados. Isso pode acontecer, por exemplo, em algumas situações espalhadas por sua duração ou até contidos em grande parte dela (podendo variar de intensidade e resultando em qualquer das duas reações, dependendo da interpretação de cada um), seja por uma proposital mudança de tom no desenvolvimento da obra, ou simplesmente por ter um roteiro deficiente.

Efeito Borboleta e Hellboy são dois deste último exemplar, que diferem no seguinte fato: enquanto um surpreende por duvidarmos imensamente de seu potencial antes de vê-lo, o outro decepciona por apostarmos imensamente em seu potencial. Claro que este fato replica todas nossas expectativas pré-filme, mas isto não explica tudo.

Como em qualquer filme, convenhamos.

  

Estréia na direção em conjunto de Eric Bress & J. Mackye Gruber (tendo o primeiro roterizado e o segundo dirigido Blunt, de 1998, e os dois roterizado Final Destination 2, de 2003), Efeito Borboleta nos surpreende com os primeiros quarenta minutos mais ágeis de um filme comercial no ano, até aqui. Tensos, ligeiros em sua edição e muito entretidos, estes minutos exploram a infância e a adolecência de Evan ("interpretado" por Ashton Kutcher), marcadas por suas rápidas e repentinas perdas de memória recente, e posteriormente por sua luta contra os traumas que este trecho de sua vida o trouxe. Para isso, ele tem que trazê-los de volta, através de um diário que escreveu por muito tempo com o fim de amenizar o seu mal. Tudo culmina numa grande descoberta pessoal: através das palavras presentes naquele diário, ele teria o poder de mudar o passado descrito alí e, consequentemente, mudar várias facetas do presente. Mas o recurso não funcionaria como uma convencional idéia de máquina do tempo, e sim como uma passagem psíquica do tempo, já que Evan voltaria ao corpo de criança ou de adolecente (dependendo da época do fato ocorrido e escrito), mas com mente/espírito completamente dentro de seu tempo e condição emocional.

É após a descoberta de Evan, então, que o longa perde bastante sua força, quando começa a apelar para situações em sua grande maioria previsíveis (algumas desnecessárias) e os furos do roteiro dão as caras, assim como o tom dramático. Mas a mudança de tom, sozinha, não é o elemento prejudicial ao filme. Além da edição perder seu ponto forte, o cunho comercial do longa nos presenteia não só com um final satisfatório por ser apenas meio-feliz (considerando o tom empregado na segunda metade do filme), mas que não deixa de fugir da proposta inicial e diminuir a qualidade o filme. Nos dá Ashton Kutcher em uma tentativa de atuar em um papel com uma exigência maior em drama. Não chega a ser a pior das tentativas (alguns atores "profissionais" do ramo fazem pior), ou prejudicial à sua carreira (nem Punk'd foi), mas com certeza comprometeu ao filme. Há uma incrível quantidade de nomes melhores (não necessariamente conhecidos) para este papel, especialmente em Hollywood. Ashton ainda não tem timing para drama, e se perde muito em consequência do processo de filmagem descontínuo, mais do que normal no cinema e bem mais administrável em comédias pastelão, o que rende uma bizarra mistura de performances interessantes/inofensivas com performances medíocres, vindas dele. Agravante maior: o mesmo erro não foi cometido na escolha dos coadjuvantes (principalmente os mirins, que interpretam certos personagens do filme em diferentes épocas). Eles praticamente passam por cima de Ashton em qualquer cena, logo numa história tão apoiada em seu personagem principal, onde isso nunca deveria acontecer. De certa forma, o talento dos diretores consegue vencer humildemente graças ao atípico nível de violência para os filmes com o tema (embora nunca seja comparável ao de um filme de terror), e menção de temas como pedofilia e abuso sexual na prisão (embora desenvolvidos/argumentados de maneira tão clichê). E como não poderia deixar de ser, o filme conta com grandes companheiros para resolverem todos os seus problemas de diversão: A Galera Dos Efeitos Visuais Bacanas.

(...)


 

("The Butterfly Effect", de Eric Bress & J. Mackye Gruber - EUA/2004)


PS - Tive que dividir o texto. Maldito limite de caracteres.
PS 2 - Nem tenho muito a falar de Hellboy. A culpa também é minha, mas é principalmente do filme. Ainda nesta semana, posto a segunda parte.

Só para constar.



Escrito por LFM às 23h35
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FILMES VISTOS EM JULHO

Muitos vistos em casa. Poucos vistos no cinema. Mais uma vez.

Sublinhados: filmes revistos.

CINEMA

Efeito Borboleta (The Butterfly Effect, de Eric Bress & J. Mackye Gruber) - ***
Hellboy (idem, de Guilhermo Del Toro) - **
Homem-Aranha 2 (Spiderman 2, de Sam Raimi) - ****
Pelé: Eterno (idem, de Aníbal Massaini) - **
O Prisioneiro Da Grade De Ferro (Auto-Retratos) (idem, de Paulo Sacramento) - *****

CASA

Abaixo O Amor (Down With Love, de Peyton Reed) - ***
Amacord (idem, de Frederico Fellini) - ****
O Assalto (Heist, de David Mamet) - ***
Os Aventureiros Do Bairro Proibido (Big Trouble In Little China, de John Carpenter- ****
Cães De Aluguel (Reservoir Dogs, de Quentin Tarantino) - *****
Campo Dos Sonhos (Field Of Dreams, de Phil Alden Robinson) - *****
A Corrida Do Século (The Great Race, de Blake Edwards) - ****
O Custo Da Coragem (Veronica Guerin, de Joel Schumacher) - ***
Desaparecidas (The Missing, de Ron Howard) - *
Dummy - Um Amor Diferente (Dummy, de Greg Pritikin) - ***
Em Qualquer Outro Lugar (Anywhere But Here, de Wayne Wang) - ***
Encantadora De Baleias (Whale Rider, de Niki Caro) - ***
Escola De Rock (School Of Rock, de Richard Linklater) - *****
A Espinha Do Diabo
(El Espinazo Del Diablo, de Guilhermo Del Toro) - ****
A Flor Do Meu Segredo (La Flor De Mi Secreto, de Pedro Almodóvar) - *****
Fuga Desenfreada (Highway, de James Cox) - ***
Full Frontal (idem, de Steven Soderbergh) - *
O Homem Sem Passado (Mies Vailla Menneisyyttä, de Aki Kaurismäki) - ***
A Hora Do Espanto
(Fright Night, de Tom Holland) - *****
O Iluminado (The Shining, de Stanley Kubrick) - *****
Impacto Fulminante (Sudden Impact, de Clint Eastwood- **
Jogada De Risco (Hard Eight/Sidney, de Paul Thomas Anderson) - *****
Limite De Segurança
(Fail-Safe, de Sidney Lumet) - *****
O Matador (Die Xue Shuang Xiong, de John Woo) - ****
Miguel Ne Terren: On The Spot (idem, de Lluis Jené & Enric Miró) - ***
A Missão (The Mission, de Roland Joffé) - *****
Um Misterioso Assassinato Em Manhattan (Manhattan Murder Mystery, de Woody Allen) - ****
O Nome Da Rosa (The Name Of The Rose/Der Name Der Rose, de Jean-Jacques Annaud) - ****
Os Pássaros (The Birds, de Alfred Hitchcock) - ****
O Peso Da Água (The Weight Of Water, de Kathryn Bigelow) - ****
Pollock (idem, de Ed Earris) - ***
Por Amor (For Love Of The Game, de Sam Raimi) - ***
Segunda Pele (Segunda Piel, de Gerardo Vera) - ***
Showtime (idem, de Tom Dey) - **
Sintonia De Amor (Sleepless In Seattle, de Nora Ephron) - ***
A Terra Treme (La Terra Trema: Episodio Del Mare, de Luchino Visconti) - *****
Tropas Estrelares 2 (Starship Troopers 2: Hero Of The Federation, de Phil Tippett) - *
Young Artie Feldman (curta) (idem, de Erik Moe) - **
Zus & Zo (idem, de Paula Van Der Oest) - **

Total: 44 filmes.

Melhor filme visto no cinema: O Prisioneiro Da Grade De Ferro (Auto-Retratos)
Pior filme visto no cinema: Pelé: Eterno

Isso aí. Melhor e pior filmes são documentários. Se bem que tenho sérias dúvidas quanto à Pelé: Eterno, que até diverte um pouco, mas pouco mesmo é cinema, muito menos biografia. Nem perdi tempo tentando escrever para o blog sobre este. Quanto ao outro, elogiei até me cansar no post anterior. Ainda não escrevi sobre Efeito Borboleta e Hellboy, o que farei em breve. Mas adianto uma opinião minha: são dois desperdícios de proposta, divertidos.

Melhor filme visto em casa: Limite De Segurança
Pior filme visto em casa: Full Frontal

Muitas obras-primas/bombas vistas e revistas. Escolho o filme do Lumet como o melhor, por pouco. Aquela cena final... Oh, Deus. Filme que sempre deve ser lembrado, assim como o seu "concorrente" em tema, mas de outro gênero, Dr. Stangelove. Eu até poderia escolher o filme do Linklater, mas esse já tem um lugar especial no meu coração, além do arrependimento de tê-lo perdido no cinema. Já o filme do Soderbergh não conseguiu nem ser melhor que a continuação "para vídeo" do filme do Paul Verhoeven, que acidentalmente vi em DVD, graças ao bom gosto de meu pai, que o alugou. Pelo menos esse tem um estilinho diferente, é feito em digital inteiramente e nem parece tanto um filme B (o diretor tem um certo talento para dirigir ação), enquanto o outro só consegue ser o maior mico que um diretor talentoso poderia pagar, depois de ter sido tão reconhecido por crítica e público. Subiu à cabeça, coitado.


Agosto: comecei vendo Torque e Dr. No. Nesta segunda vejo Lance De Sorte (do Neil Jordan) e revejo Wall Street (do Oliver Stone). No cinema, verei Meninas Malvadas e Osama.

Só para constar.



Escrito por LFM às 19h46
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