É nisso que dá! Aprendeu agora, mané?
Ou "Post que não pretendia escrever, mas o filme merece"
  
Nunca imaginei que iniciaria um texto assim, mas este Prova De Amor me pegou de surpresa. OK, nem tanto. Nas últimas semanas li muitos comentários positivos. Mas imaginava um filme diferente, mesmo que esse "diferente" fosse me agradar mais. Ok, me agradar menos. Ok, ser mais comum. Putz, nem eu me entendo mais. De qualquer forma, nunca imaginei que iniciaria um texto assim:
Beeeeem bom mesmo. A direção de David Gordon Green (autor também do roteiro) em algumas cenas pode parecer fria e distante, apesar de sempre perto (se é que vocês me entendem), assim como (dando um exemplo esdrúxulo) em O Filho. Mas uma cena inicial tão bonita (entre as melhores que já vi, ao menos do gênero) pode desviar esse pensamento de qualquer um. Além do mais, aqui o cara mete o bedelho, dá seu ponto de vista, mesmo que "implícitamente". Quem presta a atenção de verdade no filme (e se delicia com os ótimos diálogos), vê que a diferença é gritante. Acompanhar tão a fundo, entender tanto todas aquelas situações, e depois passar pela cena do Paul ("o" personagem principal) no bar, depois pela cena no carro com a Noel ("a" personagem principal), e chegar àquela última cena com o Paul e Noel juntos, é como ouvir do diretor (e do próprio protagonista, que teve a idéia do filme com ele) um desabafo:
"Porra, nada tem que ser perfeito. Certo. Mas por que que nesta época da vida nos é tão difícil sermos fiéis a quem amamos e confiamos, principalmente se não conhecemos esse alguém há muito tempo? Ser fiel por acaso é ser perfeito? E por que quando pensamos que aprendemos o bastante sobre isso, algo mais que óbvio nos faz percebermos que ainda não tinhamos aprendido e é aí que aprendemos?".
Nunca duvidamos do intenso amor entre os dois, mas entendemos tudo, mesmo tendo aquele tipo de pensamento penoso (mais do que normal) que poderíamos sentir num outro filme comum, de romance, por aí. Não que isso seja péssimo. Ou você, que ainda não viu o filme, pensa que verá este e não sentirá isto neste aqui? Sim, mas ao mesmo tempo todos os problemas dos personagens estão alí para você ver, ninguém é perfeito. Há algo com o que se identificar, nada para se torcer para ser impecável. David deixa claro que não há nenhum monstro ou anjo alí. Mas não é por isso que o diretor não deixa claro que alguns erros poderiam muito bem não serem cometidos. Muitos dos personagens (excluo os mais velhos, como Elvira, a mãe de Paul, e seu deprimido irmão, tio de Paul) pensam muito compreender sobre si e sobre os outros. E, erro mais grave, que o filme retrata: os homens pensam compreender totalmente as mulheres e vice-versa. Mas isso não é, de forma alguma, o bastante para se entender alguém (aí é que entram os mais velhos). Um exemplo disso é a relação entre Paul e Elvira: um filho antes fiel à sua mãe e todas as necessidades dela, que as fazia suas também. Mas durante o período retratado no filme, essa fidelidade mostra estar se perdendo. Outro exemplo é a relação entre Paul e seu tio, que também é "o cara com quem ele pode conversar abertamente sobre seu amor, o cara que entende do que ele está falando".
Mas pera aí. Há neste longa alguns errinhos, avulsos: 1- Em uma ou outra cena (meeeesmo, duas no máximo, e não irei citá-las para não prejudicar os que não o viram e leem este humilde texto) o David execede na sua tentativa de deixar os personagens extremamente comuns e acaba os fazendo beirar à monstruosidade; 2- Está no elenco... Elenco? Aliás: todos ótimos, sejam os desconhecidos, ou os mais "conhecidinhos". Patricia Clarkson arrasa no pouco tempo em cena, Zooey "Anita Miller" Deschanel maravilhosa como Noel, uma mulher (se eu tivesse que escolher uma palavra para definí-la seria...) confusa, e com certa razão. Hiper-destaque para a cena do Motel.
Eu escrevi "todos ótimos"? OK, confesso: cismei um pouco com o protagonista, Paul Schneider (O roteirista de Taxi Driver? Err... Nop. O nome do cara é uma mistura de Paul Schrader com Rob Schneider... Para confundir nossas cacholas mesmo). Tudo bem, ele teve a idéia do filme também, mas dá pra notar que o cara está sentindo o peso de um personagem "simples" como esse (àspas mesmo, nada de simples, trata-se de um personagem que finalmente está se descobrindo), e não sabe lidar com isso. O cara não está nenhum desastre (longe disso), mas logo este personagem merecia mais, já que os outros ganharam atores tão bons. Tudo bem, vai. Não é tããããão ruim assim.
Tentativa de terminar o texto com mais humor: É, fazer o quê? O cara teve a idéia com seu amigo, que por sua vez (sendo amigo dele) lhe ofereceu este papel. Quer dizer, eles provavelmente tiveram essa idéia antes do David escrever o roteiro, quando eles ainda estavam na faculdade e, enfim, ainda eram nerds. É a vida.

("All The Real Girls", de David Gordon Green - EUA/2003)
PS - Primeira vez que faço aquilo embaixo do pôster e da cotação. Sabe como é, pra ficar mais respeitoso...
PS 2 - Este final de mês, estou ouvindo pra caralho Teenage Funclub e The Smiths. Relembrando o que não tive, entendem? Enfim, melhor parar. Essa pose de intelectual não é para mim, definitivamente.
Só para constar.
Escrito por LFM às 01h16
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Seja ogro ou desmemoriada, seja feliz!
Ou "Dois filmes divertidinhos que vi essa semana"
Deixando claro já no(s) primeiros(s) parágrafo(s), como de costume:
Achei Shrek, de 2001, uma animação bem divertida, que consegue (pois foi foi feito para) agradar a pessoas de todas as idades. A ótima recepção do público foi merecida. Só. Nunca fui desses que a consideraram um marco no gênero, e que cairam nessa de "crítica às produções Disney", embora o sarro, de fato, tenha sido bem tirado. Essa pompa que o filme ganhou até ajudou numa certa decepção de minha parte quando o vi pela primeira vez. No final daquele ano vi Monstros S.A. e o achei mais divertido, mesmo não tendo a "sacada" do filme do ogro.
Parecida fica a minha situação com o Adam Sandler. Nunca me diverti horrores com sua filmografia. O melhor filme estrelado por ele que vi (PDL, EdA, P.T.A. ...como preferir) tem momentos escatológicos tanto quanto seus outros filmes. Esses outros filmes, por sua vez, têm momentos escatológicos divertidíssimos, mas sucedidos de momentos escatológicos comprometedores/nojentos/ridículos/simplesmente sem graça, o que os distingue completamente de seu filme, ahn, único. Mas quando pensamos nesse filme único, a primeira coisa que nos vem à mente não é "estrelado por Adam Sandler", e sim "dirigido por Paul Thomas Anderson". Então, deixa pra lá. Mais do que único, esse filme pode ser considerado exceção em sua carreira.
Com esta expectativa, assisti na sala de cinema (o filme do ogro) e na sala da minha casa (o filme da desmemoriada, graças a meu querido irmão que o puxou, pois perdi nos cinemas) a dois lançamentos de 2004: Shrek 2 e Como Se Fosse A Primeira Vez. Os dois, coincidência ou não, me agradaram igualmente. Nada de surpresas, nada de bombas, nada de filmaços.

A continuação do vencedor do primeiro Oscar® de Animação da história é composta por 90 minutos repletos dos mesmos elementos e estilo que fizeram do original um sucesso. Piadinhas para todos os gostos (adultas, infantis, ou dúbias mesmo), o mesmo sarro dos clichês das produções Disney (mas que não consegue disfarçar os rumos que a história toma, abusando destes clichês - o que, aliás, não foge à regra seguida por todas as produções do gênero), mas sem nunca nos fazer perder o respeito e a admiração pelos personagens clássicos (sejam originários de produções Disney, ou não) que dão as caras nesta animação. Alguns dos momentos mais deliciosos do filme são aqueles repletos de citações à outras produções famosas (cena dos créditos iniciais, ou cena do resgate de Shrek, Burro, Gato de Botas, com o Pinóquio), mas todo o filme é repleto de citações, que vem desde cinema/TV até atualidades.
Quem acompanha a produção em som original, capta melhor a "malandragem" de suas piadas. Acompanhar as vozes de Mike Myers, Cameron Diaz, Eddie Murphy, Julie Andrews, John Cleese, Antônio Banderas, Rupert Everett e outros, perfeitas para seus respectivos personagens, é uma grande vantagem. Ainda não acompanhei esse, ou o filme de 2001, na versão dublada em português. Mas até com o ogro sendo dublado pelo Bussunda, é impossível não acabar-se tendo uma conotação mais infantil para as piadas, mesmo as mais improváveis, nesta versão.
Toque de genialidade... passageiro: cena que parodia o tão conhecido (clássico dos programas policiais) Cops. Na animação, o programa chama-se Knights (na versão legendada traduzido como Cavaleiros). De longe a parte mais cômica deste filme.

Segundo filme estrelado pela dupla Adam Sandler-Drew Barrymore, esta comédia de Peter Segal (do ruinzão Tratamento De Choque, que também perdi nos cinemas) aposta no mesmo tipo escatológico de sempre (assim como nos filmes de seu companheiro de longas jornadas Rob Schneider, que neste longa mais uma vez marca presença, e mais uma vez num tipo bem estranho), mas parece diminuir aquela impressão de "piada preconceituosa" que costuma-se obter, e inclusive repele muitos cinéfilos de seus filmes. Continua típico, mas desta vez diverte um pouco mais.
Desta vez também há algo de mais interessante na história. Claro, improvável soa como sempre. Mas Peter consegue manter o ritmo da produção, com explicações rápidas que fogem rápido da mente (nada de dar importância), e a química entre os protagonistas ajuda a deixar tudo crível, uma vez que acreditamos no que os personagens acreditam, no amor que eles sentem... OK, voltando à química: isso, aliás, prova que dupla engraçada dá certo, principalmente se for casal. Sem essa de "para uma comédia estrelada por uma dupla dar realmente certo, necessita-se de um ator provavelmente engraçado e/ou com experiência em comédias se juntar com outro sem a mínima probabilidade de fazer rir e/ou sem experiência em comédias". Os ótimos momentos do filme têm os dois em cena. Os nem tanto, ou os ruins, não. Mas o filme conta com outros bons coadjuvantes (Sean Astin, Dan Aykroyd) em alguns bons momentos, e outras figuras peculiares (Ula, feito pelo já citado Rob Schneider, ou o japinha, ou o Tom 10 Segundos, ou a "ave de estimação" do Henry Roth, etc) que co-protagonizam algumas cenas. Só para variar.
Toque de genialidade... transitório: cena em que Henry Roth (personagem de Adam Sandler) interpreta a música que compôs para Lucy Whitmore (personagem de Drew Barrymore). Se não é a parte mais cômica, é a mais bacana do filme, com certeza.
Que a continuação de Shrek diverte da mesma forma que o original o fez e 50 First Dates é o filme estrelado pelo Sandler que mais me fez rir, já sei. Que ambos são sucesso de público, principalmente nos EUA, e contam com protagonistas que fazem a cabeça dos americanos (ogro e cabeça de ovo), sei também. Que a crítica glorifica um e torce o nariz para outro, sim-sei. Mas ambos divertem na mesma intensidade, mesmo que tão diferentes? Certo. Algo de surpreendente aí? Não.

PS - Ok! A cena no meio dos créditos de Shrek 2 é genial e aquela em que o Sandler faz aquela careta e canta alto em seu barco Wouldn't It Be Nice em Como Se Fosse A Primeira Vez, é bacana. Tá bom, vai... Adam Sandler também é engraçado.
PS 2 - Ok! A "canção tema" do Shrek 2 (Accidentally In Love, do Counting Crows) é bacaninha, certinha, bonitinha. A clássica canção dos Beach Boys, que é exaustivamente reproduzida no Como Se Fosse A Primeira Vez, também. Mas é melhor.
Só para constar.
Escrito por LFM às 18h03
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Escrito por LFM às 17h32
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Vida louca, vida... Vida fácil, fácil?
Filme de Sandra Werneck e Walter Carvalho mantém o expectador interessado até o fim e emociona, mas pouco desmistifica Cazuza, inclusive como artista
 
Algo que provavelmente todos já sabem (quem não sabe, deve saber): este não é um filme sobre a vida de Agenor de Miranda Araújo Neto. É um filme sobre Cazuza, o artista. Menos que isso: é um filme com uma imagem de artista que pode vir à mente de qualquer um. Em toda e qualquer cena em que o vemos, vemos alguém que sempre sabe o que quer, que não tem arrependimentos, que declama em vez de conversar, que "dá seu show" a todo e qualquer momento, vive feliz e sem dificuldades, mas mesmo assim é problemático. Tem pais preocupados, presentes, que fazem tudo por ele. A mãe é super-protetora, mas é boazinha. O pai é rico e meio emburrado, mas ama o filho imensamente e faz tudo por ele.
Cazuza - O Tempo Não Pára, na ânsia de entreter e passar uma imagem positiva do artista para gerações atual e futuras, acaba por contar a história de um cara que, antes de ser tocado pela AIDS, sempre teve tudo que quis, teve pouco sofrimento ou dificuldade e, entre uma fumada e outra, entre uma transada e outra, vomitava uma bela composição musical. Divertido ficou, mas de maneira alguma funciona como biografia, sequer do artista e sua obra em si. Pouco (quase nada) discute suas influências (pessoas - artistas ou não - que passaram por sua vida, sendo alguns nomes até omitidos, como Ney Matogrosso), ou o preconceito sofrido por ele durante este trecho de sua vida. Os conflitos com sua família ou seu grupo musical são narrados da forma mais amena possível. Este ponto não chega a prejudicar o longa, mas se os roteiristas (Fernando Bonassi e Victor Navas, em parte baseados no livro Só As Mães São Felizes, escrito pela mãe de Cazuza, Lucinha Araújo) pensavam que narrar estes conflitos era o bastante para passar qualquer idéia de revelação sobre o artista, estavam enganados.
A fotografia de Walter Carvalho é corretíssima, mas em certos momentos é prejudicada pela direção de Sandra Werneck em certas cenas. Um exemplo óbvio disso é a cena do Rock In Rio. Misturar cenas da recriação feita para o filme com imagens reais do evento não foi uma boa escolha. Passa imediatamente ao expectador uma sensação de inverossimilhança em relação a recriação (nota-se diferenças do figurino, ou das imagens do público no evento). O mesmo não acontece no fim, que conta com imagens reais de Cazuza sob uma fotografia mais escurecida, destacando o amadorismo da filmagem, ao som de Faz Parte Do Meu Show. É um clichê bem utilizado. Algumas imagens mais antigas (provavelmente da época que ele passou fora do Brasil) misturam-se com outras da época retratada no longa. Mas, voltando um pouco: mais ou menos na última meia-hora, quando o filme passa a mostrar Cazuza depois da AIDS, o clima ameno, que não caía muito bem antes, passa a ser uma ótima escolha. Contudo, a rápida transição dos fatos continua e o filme permanece agradando, mas sem se aprofundar na vida de Cazuza. Há, pelo menos, uma mensagem anti-preconceito durante todo o filme (mais ainda na segunda metade), nos diálogos, nas cenas. O longa se isenta de qualquer julgamento ao artista que retrata.
O elenco é outro fator que ajuda o filme a se manter bom. Daniel De Oliveira faz por merecer todos os comentários positivos sobre sua interpretação neste que é o primeiro longa-metragem estrelado por ele. Está extremamente seguro dentro de seu personagem e convence em todas as cenas, mesmo com o roteiro fraco. Inclusive nas cenas musicais, utilizando sua voz e cantando como o artista ou apenas dublando a verdadeira voz dele (uma mistura perigosa, mas graças ao talento de Daniel, bem administrada), fez o seu Cazuza e tornou sua interpretação inesquecível ao expectador. Lembraremos de Cazuza e, logo depois, dele no filme, sempre. Uma das melhores interpretações do ano, com certeza. Marieta Severo não tem nada de mais a fazer, apenas ser uma mãe super-protetora que ama muito seu filho, assim como Reginaldo Faria apenas tem que fazer um pai rico e emburrado que ama muito o seu filho. São descrições superficiais, sim. Claro que os dois atores tem ótimos momentos, e nos fazem esquecer dessas descrições. Outros personagens não ganham muito destaque no filme, mas ganharam atores bem competentes, com caras bem marcantes (Leandra Leal - Bebel Gilberto, Emílio De Mello - Zeca, Andréa Beltrão - Malu, Cadu Favero - Frejat, Arlindo Lopes - Dé, entre outros).
Temos então um filme incompleto demais, mas difícil de se esquecer. Incompleto demais, e extremamente agradável. Incompleto demais, mas que ainda emociona no final. Algo a se pensar: então um filme não precisa ser excelente para ser inesquecível? Com o tempo veremos, ao menos em relação a este filme, cheio de graves defeitos e grandes virtudes, se a poeira vai baixar.

Escrito por LFM às 16h01
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Eu não morri!
Estou escrevendo somente sobre filmes que vejo na telona, e como não sei o que é entrar numa sala de cinema desde o último dia 4, o sumiço foi inevitável. Mas é isso aí: um blog de cinema com algumas raras exceções, não se enganem com o nome no topo da página. Fazer o quê? Minha vida é desinteressante.
E só porque estou com vontade... alguns filmes que andei vendo em casa:
Alien: Versão Do Diretor - *****
Esperava encontrar um filme melhor apenas tecnicamente. Neste aspecto o filme até decepciona (no que se refere a remasterização do som), mas, claro, não deixa de estar melhor. Mesmo já sabendo o que encontrar em cada cena do longa, ele me pareceu ser mais ágil do que antes (tem um minuto a menos que o original, apenas). O acerto compensa o "erro", e assim o filme continua perfeito. O melhor do Ridley. Mas ele nem fez tantos filmões assim. No máximo uns três, quatro. Peraí. Ainda tenho que ver Os Duelistas...
Amor À Toda Prova - ****
Ando tendo sorte com a letra A, creio. E o diretor P.J. Hogan subiu no meu conceito. Quer dizer, nunca tive nenhuma cisma com o ele (leia-se: sua filmografia), gosto de sua versão de Peter Pan, acho simpático seu O Casamento Do Meu Melhor Amigo e ainda não vi seu mais elogiado, O Casamento De Muriel. Mas do filme que vi esta semana pouco tinha ouvido falar, lido. Comentários discretos, apenas. E o que encontrei foi uma comédia inusitada (mesmo que costurada com clichês do gênero), dirigida sem o menor preconceito pelo Hogan e com ótimas interpretações. Fala de amor sem parar, durante as duas horas de duração, e nunca fica excessivamente meloso. Isso sem contar a "trama de assassinato" que o filme tem, para distrair. Atenção aos que se frustraram com Simplesmente Amor (o que nem foi o meu caso): este aqui é o que há.
The Commitments: Loucos Pela Fama - ****
Leve e simpático filme de Alan Parker. Tem um ou outro momento desnecessário, e um ou outro momento mal explorado, mas é bastante divertido acompanhar a trajetória deste humilde grupo de blues irlandês, com seu empresário "ambicioso", seu vocalista "problemático", suas brigas, e ainda antes, sua formação. A trilha sonora é excelente e as cenas em que o grupo está tocando empolgam. Depois deste a carreira do diretor desandou um bocado, pena.
Cotton Club - ****
Longe de ser o melhor que Coppola já fez (e nem vi todos do cara), mas aqui ele ainda demonstrava interesse em dirigir (mais precisamente, ele o demonstrou até Drácula). Formulaico é, sem dúvida. Mas é bem narrado. Ok, as cenas musicais estão no filme em maior quantidade do que eu pensava, desviam até a atenção para a história um pouco. Nem dá tempo de se identificar com algum personagem, apesar de se divertir com aquilo. E o pior é que o Coppola parece não querer que isso aconteça, as cenas não-musicais são cheias de conflitos e diálogos bacanas. Mas até Richard Gere convence e a fotografia é maravilhosa. No geral, não deixa de ser uma ótima produção.
Creepshow - ****
Depois de ter conferido a cultuada trilogia dos mortos de Romero, tive a certeza de que ele era expert em horror gore que entretém, não quer ser só nojento. E que era bom diretor, oras. Ainda mais no primeiro da trilogia, A Noite Dos Mortos-Vivos, que tinha ótimos ângulos de câmera e extema criatividade para a época e para as condições em que foi feito. Com esta história (escrita por Stephen King) ele mostra que também dá certo dirigindo o horror light típico dos Anos 80, aquele adaptado para render na América. Mesmo que não tenha tido tanta liberdade, ele conseguiu tornar todas as historias interessantes (inclusive a primeira, mais fraquinha). Também é divertido ver o início de carreira do Ed Harris e Ted Danson/Leslie Nielsen tentando convencer um pouquinho que seja como atores, em sua história de humor negro.
Dogma Do Amor - 0
Fiquei me perguntando até o final: Cadê os ugandenses voadores? CADÊ OS UGANDENSES VOADORES? E quando eles aparecem são por, no máximo, 10 segundos, no final. Pronto, nem uma estrelinha que seja. Perda de tempo. O que Sean Penn faz lá, meu Deus? Todo o raciocínio que o longa nos propõe sobre seu conteúdo se mostra inútil. Não seria um problema, se o Thomas Vinterberg não tivesse uma visão de futuro tão peculiar, e que merecia ser explorada seriamente. Mas se chegarmos em 2021, tendo que enfrentar o congelamento do mundo (essa é óbvia, passa), encontrando pessoas mortas/morrendo de infarto pelo chão da cidade sem nos preocuparmos em socorrê-las, ou descobrindo versões robotizadas de nós mesmos, e vendo ugandenses voadores na TV, aí sim, vou considerá-lo obra-prima visionária. Nada a declarar sobre a filmografia do diretor, nem vi Festa de Família.
Frida - ****
Por que tanta gente não gostou deste filme, em? Fiquei com tanto medo, que acabei só o vendo quando passou na TV, e me surpreendi. Tem uma direção fria de Julie Taymor, sim, mesmo com todo o calor humano do elenco, principalmente da Salma Hayek (o papel é para ela, sem comentários). Mas além de plasticamente belo, não cansa em nenhum momento das duas horas de filme, além de ter uma interessantíssima estória para contar. As aparições especiais de atores famosos são legais, mas não superam a importância das cenas quem que eles aparecem. Bom trabalho, sim. Preciso ver mais da diretora.
La Meilleure Façon De Marcher - ***
Curiosidade de ver um filme de Claude Miller, mais ainda de ver um filme na TV5 (se eu não perdia, não era legendado em português). E é incrível o que esse diretor faz neste filme de 1976. Nos mantêm tão atentos a um caso tão bobo, com personagens tão irritantes, e que em um filme americano não renderia meia-hora, muito menos teria um final como esse tem. Incrível. Alguém aí conhece mais a filmografia do diretor? Me recomenda algum filme dele? Dele só vi este e Sob Suspeita, que tem o roteiro dele.
Podem dizer. Digam. Estou de MUITO bom-humor. Notas altas sem pestanejar, zeros que acontecem raramente (mas acontecem), e muitos filmes. Planejo ver filme do Sr. Takeshi Kitano (Hana-Bi, no PC), filme do Sr. Michael Cimino (O Siciliano, gravei do A&E Mundo), e outros, e outros, e outros...
No cinema, os próximos serão Cajujah - O Teampoah Nãoh Párah e Shereka 2. Depois rola d'eu comentar, OK?
Ih! Olha lá, eu me achando com as gíria... Malandrão eu.
Escrito por LFM às 17h45
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A pré-adolecência deles chegou e...
...adivinhem quem resolveu inventar mais um subtítulo pretencioso: "this guy!"
 
"O Alfonso Cuarón? Dirigindo um filme do RRRéwy Póttar?!"
Foi a primeira coisa que me veio à mente ao ler tal notícia, há dois anos atrás. Alfonso Cuarón era um nome que me lembrava, simples e unicamente, Y Tu Mamá También, que na época ainda nem havia visto, mas saberia o que encontrar alí caso o visse. Nada de A Princesinha, filme o qual nunca valorizei em minha infância e preciso rever, assim como preciso ver o resto de sua filmografia (filmes como Grandes Esperanças e Solo Con Tu Pareja). Não imaginava então como ele iria impor seu estilo ao terceiro filme de uma franquia como esta, com dois fracos filmes de Chris Colombus que o antecederam e nada tinham de criativo, e cuja única virtude foi ter abusado do tempo de duração dos filmes para apresentar e explorar bastante as personagens, bem como os livros, à pedido da escritora J. K. Rowling. Essa tática tanto deu certo (dinheiro), que Steven Kloves permanece sendo o roteirista de todos, inclusive dos próximos filmes da franquia. Quem não leu os livros e não dormiu durante as sessões de Harry Potter E A Pedra Filosofal e Harry Potter E A Câmera Secreta, agradece.
Agradece, porque já passou. Em Harry Potter E O Prisioneiro De Azkaban, Cuarón resolveu explorar à sua maneira as três personagens principais, e logo agora que Harry, Hermione e Rony estão em plena pré-adolecência. Missão difícil essa, óbvio. As personalidades mudam, os pensamentos mudam... E embora pensar nisso possa ser algo ridículo para alguns, se tratando de uma história que se passa em um mundo mágico paralelo ao real, de bruxos e trouxas, Londres e Hogwarts, Cuarón acredita sempre e enfatiza essa mudança em cada um dos três, com uma sutileza aquém de seu estilo de dirigir. Nota-se isto desde quando vemos em uma cena o reflexo que Hermione tem ao se assustar, pegando a mão de Rony, até quando vemos o tratamento um pouco mais formal que os professores dão aos alunos ou o comportamento mais afrontador e violento de Harry e seus amigos. Também o faz nos coadjuvantes mirins, mas não com tanta atenção, até porque a história em si os aproveita pouco.
Apesar de alguns pontos que Cuarón parece não se dar conta, como lidar mais delicadamente com o avanço do tempo, bem explorado com a mudança das estações, mas não com as personagens e suas atividades em Hogwarts (algo que era mérito dos dois filmes do Columbus e não precisava ser extraído desse), ou não abusar dos fade-ins e fade-outs (que nos momentos de pouca ação do filme podem cansar o espectador), o clima tenso que a história exigia (mais sombrio para o ambiente e mais ponderado para as personagens) está à prova.
 
O elenco adulto é explorado relativamente bem. Os que necessariamente precisam ser bem explorados, como os professores Lupin e Snape (os ótimos David Thewlis e Alan Rickman, respectivamente) e Sirius Black (Gary Oldman), o são de fato e aparecem em cena o tempo que é necessário, não importando quais atores os interpretem. Outros fazem participação relâmpago (Madame Rosmerta - Julie Christie, Minerva - Maggie Smith), por não precisarem tanto aparecer. Mas alguns (Alvo Dumbleodore - Michael Gambon, Hagrid - Robbie Coltrane, Sybill - Emma Thompson) poderiam ter maior destaque, até para ajudarem no melhor tratamento do diretor ao tempo de ano letivo em Hogwarts, mas isso não afeta tanto o longa. Do ponto de vista técnico, como não poderia ser diferente, o filme é impecável em todas as suas passagens. Os efeitos especiais da IL&M e Cia, a fotografia de Michael Seresin, a boa e discreta trilha sonora de John Williams, a direção de arte... todos aliam muito bem o real ao mágico e dark.
Com o sucesso de Harry Potter, a Warner liberou mais grana e mais liberdade a Cuarón para o projeto, temendo menos o resultado nas bilheterias. Não melhorou em 100% a franquia (e o próximo a tentar tal feito será Mike Newell, em Harry Potter E O Cálice De Fogo), mas não a tornou em 100% antônimo de autenticidade de quem a comanda. Não sou muito otimista em relação aos próximos longas, porém. Columbus pensa em voltar a dirigir na adaptação do útimo livro lançado, Harry Potter E A Órdem Da Fênix. Talvez voltemos a encarar aquele ritmo sonolento, aquele aparente desinteresse da direção, que acaba refletindo o mesmo em quem assiste. Tomara que não.

Escrito por LFM às 20h09
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FILMES VISTOS EM MAIO
Em itálico: filmes revistos.
NO CINEMA
O Dia Depois De Amanhã - *** Diários De Motocicleta - ***** Tróia - *** Van Helsing - ** Velozes E Mortais - * Viva Voz - *
EM CASA
Alta Fidelidade - ***** Amor À Queima-Roupa - *** Angels In America (minissérie) - **** Carros Usados - *** Um Corpo Que Cai - **** A Difícil Arte De Amar - *** Divida De Sangue - ** Donnie Darko - ***** Ed Wood - ***** A Gaiola Das Loucas (1995) - *** O Grande Lebowski - **** Jesus Cristo Superstar - **** The Kidnapping Of Ingrid Betancourt - *** Lembranças De Um Verão - *** A Maldição Dos Mortos Vivos - *** A Marca Da Pantera - ** Mediterrâneo - ** Minhas Duas Mulheres - *** A Morte Pede Carona - **** Noites De Amnésia - **** Pequenos Espiões 2: A Ilha Dos Sonhos Perdidos - *** Plata Quemada - *** Sinais - *** Terra Estrangeira - **** Terra De Sonhos - ***** Os Últimos Passos De Um Homem - *****
Total - 32 Filmes
Mês mais fraco do ano, em relação a quantidade de filmes vistos.
Melhor filme visto no cinema: Diários De Motocicleta
Pior filme visto no cinema: Velozes E Mortais Sem pestanejar. Comentei todos aqui no blog.
Melhor filme visto pela primeira vez em casa: Terra De Sonhos Filme este que, infelizmente, vi em casa, já que os responsáveis pelos cinemas de Santos-SP foram patifes o bastante para não exibí-lo. Enfim, preciso ver o resto da filmografia do Jim Sheridan.
Pior filme visto pela primeira vez em casa: Mediterrâneo O filme de Clint Eastwood, não fosse pelo filme de Gabriele Salvatores (que se saiu bem melhor em Noites de Amnésia, que também vi este mês), seria o escolhido por mim. Mas é, com certeza, o mais fraco que vi do Grande Clint. Ah, tem o filme do Paul Schrader também... mas não chega a ser o pior.
Junho eu começo vendo Tiros Em Columbine (finalmente) e Sonhos (finalmente).
Será esse, então, o mês do finalmente? Bom, de uma coisa eu sei: é o mês em que eu farei 18. Isso mesmo, vou me tornar um de maior. Parabéns para mim.
Escrito por LFM às 15h38
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