Como o diretor explora personagens de seu filme: dois exemplos
 
Ou Proeza de fazer uma analogia entre "Viva Voz" e "O Dia Depois De Amanhã".
O que diabos esse cara quer dizer com isso? Onde esse cara quer (ou vai) chegar? - Perguntam vocês. E nem eu sei. Mas estou pensando: De que forma nós podemos justificar uma afirmação de que, em qualquer filme que seja, tal (tais) personagem (personagens) está (estão) sendo mal explorado(s)? O que temos que considerar? Quanto tempo ficou em cena? Quantos fatos de sua vida foram narrados nesse tempo? Ou como foram narrados, resumidos? Ou todas as opções anteriores?
Antes que eu me complique ainda mais, vamos aos filmes:
Viva Voz é nada mais, nada menos do que as personagens presentes nele. Cada uma tem função determinante na trama, por mais banal que seja. Portanto, garantem que a mesma possa existir de fato e fluir sem deixar o público confuso sobre o que essa ou aquela personagem fazem de importante nessa ou naquela cena (ou seja, sobre a história). Mas sabermos muito ou pouco sobre as personagens nem sempre importa. O que importa é o que se está acontecendo. O que fazem num momento, o que farão depois, o que isso influi na história que acompanhamos. Isso de repente nos leva a conclusões sobre suas personalidades, mas se não houver qualquer uma, tanto faz. É algo típico logo em filmes de humor negro, onde o que se vê não pode ser totalmente levado a sério, e o filme obedece tal imposição à risca.
Mas, e se os fatos narrados não forem tão interessantes? Ou pior: se uma história como esta (que depende totalmente das personagens) for mal narrada? E se tudo que o filme e suas personagens têm a oferecer são momentos engraçados, misturados com outros bem ridículos? Premissa boa mistutrada com um amontoado de clichês mal utilizados? Alguém precisa falar para o Paulo Morelli que fazer um humor negro não é tratar o filme TODO com superficialidade. Ele deixa até o elenco, com os nomes certos, pecar em alguns momentos. Eles não se sentiram à vontade para improvisar em certas cenas, e em outras o fizeram naturalmente. É terrível notar isso.
Para piorar, o filme ainda está carregando a fama de ser estupendo tecnicamente. É melhor do que 90% das produções brasileiras até hoje, mas está distante de ser estupendo. Incluem-se os tão comentados efeitos visuais, especificamente utilizados em duas cenas do filme, que nem surpreendem, até porque já foram exaustivamente veiculados no trailer do filme. Além de tudo, são bem desnecessários, até por não serem excelentes. Se filmassem, por exemplo (calma, não revelarei nada que a sinopse já não o faça), a cena do acidente que matou o irmão de Duda, Sávio (participação relâmpago de Supla), de uma forma mais convencional, o resultado poderia ser melhor. Aliás, muitas cenas poderiam ser melhores neste filme...
Invertendo a situação da problemática, temos O Dia Depois De Amanhã. Os fatos são interessantes. A boa premissa se junta a alguns clichês bem utilizados, outros não, mas o filme não é todo narrado com superficialidade, em grande parte pelo tema que aborda. E não me refiro à superficialidade com a qual certas pessoas reagiriam a uma catástrofe (cena dos tornados em L.A.), isso tem mais quê de elemento de filme hollywoodiano. Os efeitos especiais não são só excelentes, mas exercem uma função bem maior, no gênero e no filme em si.
Aqui, porém, as personagens precisam ser melhor apresentadas. Elas não são o elemento principal da história, pouco têm a fazer para mudar o rumo da mesma, mas esse pouco se resume à individualidade de cada um, e ao mesmo tempo à salvação da humanidade. Aliás, creio que achei uma utilidade para a personagem de Iam Holm. Atenção aos diálogos-clichê: "Salvem quantos vocês puderem", "Acredito que esse tempo chegou e se foi" (respondendo à sugestão de Jack Hall-Dennis Quaid, para ele e seus companheiros deixarem a Inglaterra, pois haveria tempo antes que "a tormenta" chegasse lá). Explicado. Ninguém pode fazer algo para mudar o que está acontecendo, ou podia de alguma forma, e não o fez (uma pequenina crítica ao governo americano, mas que serve mesmo é para a história continuar, pois Jack Hall não seria, com certeza, o único climatologista que poderia comunicar a NASA, nos Estados Unidos e muito menos no mundo). A preocupação de todos então resume-se a salvar vidas. E é para isso ter um valor real na história que as personagens principais tinham que ser apresentadas de forma mais substancial.
O alemão Roland Emmerich não pensa assim. Pensa que não é necessário dar todo um histórico para o filme ter uma personagem forte, seja principal ou coadjuvante. E tem razão. Em todos os seus filmes, sejam eles ruins ou não, encontramos personagens marcantes. Mas aqui o tema é mais sério, Emmerich o leva mais a sério. E o impacto das "grandes cenas" ou das "cenas emocionantes" no expectador acaba sendo menor, se não se sabe nada ao certo sobre a personalidade do climatologista (Dennis Quaid), de seu filho (Donnie Darko... opa, Jake Gyllenhaal) e da garota por quem ele é apaixonado, etc. É natural notar a indiferença do expectador.
Percebe-se desta vez, contudo, que Emmerich deixou aquela bobagem pretensiosa e superficial, o heroismo e/ou patriotismo ianque desmedido, de ID4, O Patriota e Godzilla, para, inclusive tecnicamente (atenção às cenas fora do planeta Terra), apresentar um filme que consegue divertir, mas sem subestimar o expectador (só um ou outro diálogo idiota, isso surpreende), o deixando quase no nível dos bons filmes que fez até Stargate. Nada para se levar inteiramente a sério, mas tem uma mensagem interessantíssima, ao contrário das deixadas por alguns de seus outros filmes ("os EUA salvaram o mundo", "os britânicos foram maus, será que ainda são?", "oh, os Godzilla não morreram todos, sobrou um"). E se não nos preocupamos tanto com Sam Hall, ou Jack Hall (e algumas atitudes suas, em cenas bem estilo hollywood), ficamos felizes com um filme que, se dá mais valor aos EUA, não chega a ofender outras nacionalidades e nos trata como deveríamos, em qualquer circunstância: humanos, com virtudes e fraquezas, seja um "nerd" de 17 anos ou o vice-presidente dos Estados Unidos Da América.

Escrito por LFM às 02h39
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Olha o ego aumentando...

Só pra deixar algo de Cannes 2004 aqui neste blog:
Sr. Michael Moore levou a Palma de Ouro por seu Fahrenheit 9/11, também favorito da crítica internacional, que diretamente (só pra variar) critica o governo do George W. Bush, desta vez mostrando o quanto a opinião pública foi manipulada, após os atentados de 11 de Setembro, para uma guerra no Iraque ser justificada. O (antes) grande favorito, 2046, Sci-Fi Noir de Wong Kar-wai, saiu de mãos abanando, mais ainda que o Diários De Motocicleta, do Salles, que levou o François Chalais, um prêmio do Ministério da Cultura francês e do Centro Nacional de Cinematografia da França, o Cidade de Roma – Arco-Íris Latino, um prêmio do Instituto Internacional para Cinema e Audiovisuais de Países Latinos, e o prêmio do Júri Ecumênico. Nada oficial, ao menos alguma coisa.

Entre outros:
O premio de Diretor não foi dado a um grande ou favorito, e sim ao francês Tony Gatlif, por Exílios, assim como o de roteiro, que foi para os franceses Agnés Jaoui e Jean-Pierre Bacri, por Comme Un Image. O grande prêmio do juri foi para Old Boy, do coreano Park Chan-wook. O "Un Certain Regard" foi para o único filme africano selecionado, Moolaadé. Eric Gautier ganhou um prêmio técnico pela fotografia de Diários de Motocicleta e Clean (filme de Olivier Assayas).
Escrito por LFM às 15h55
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ANGELS IN AMERICA - A Outra Metade

Bem mais interessante do que a primeira metade, mas a validando completamente. Uma demorada apresentação dos personagens nos primeiros três capítulos colaborou muito com a fluência dos três últimos. Todo o elemento fantástico em cima do tema central funciona muito melhor, assim como o humor diferenciado.
E se, segundo este que vos escreve, as atuações do trio Pacino-Streep-Thompson já estavam ótimas sendo exageradas, agora, estando exageradas ou mais realistas, são melhores ainda. Quem reclamou do mais-do-mesmo de Al Pacino antes, agora deverá se surpreender. Todos que viram a primeira parte sabem o destino de Roy, mas Al não nunca deixa isso afetar o desenvolvimento de sua personagem e arrebenta. Meryl Streep tem mais espaço, Emma Thompson tem menos, mas continuam ótimas e tendo seus momentos. O elenco de apoio idem, destaque para Mary-Louise Parker e Justin Kirk, em seus pequenos monólogos, no último capítulo.
Continua discutindo bem a politica na segunda metade dos anos 80 (pouco diferente da atual) e, não tão delicadamente porém respeitosamente, religião-crenças-fé. Tem um final otimista. Não foi cansativa como a primeira parte, mesmo que mais longa (3h10), mas vê-la separadamente, sem pressa, não vai atrapalhar. O tratamento de minissérie dado à adaptação da peça de Tony Kushner foi a melhor escolha, há de se concluir. Não tinha como diminuir isso e obter o mesmo resultado. Mike Nichols faz mais um bom trabalho com a HBO Films, depois do ótimo Wit. Com essa liberdade que ele tem nos projetos, inclusive para escolher o elenco, vai ficar um pouco difícil ele sair de lá.


No próximo Domingo 23, a HBO estréia mais uma Produção Original: a série Carnivàle, que tem uma premissa interessantíssima e aparenta ter uma produção caprichada como o Angels In America. Não sei por quanto tempo ainda terei o canal em casa, mas verei os capítulos da série que me forem possíveis.
Escrito por LFM às 00h16
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Épico pop clássico

Mesmo que não se tenha lido A Ilíada, obra de Homero em que o filme de Wolfgang Petersen é inspirado (termo esse que o próprio diretor gosta de utilizar), e que não se tenha reparado o quanto o roteirista David Benioff mexeu com alguns elementos essenciais (e reconhecíveis) nas personagens e na história da mesma, o que muito provavelmente deixará os adoradores do poeta revoltados (algo que concluí através de leituras de textos sobre o filme, já que não tive a oportunidade de ler o poema), é fácil encararmos Tróia como um épico moldado de uma maneira bem pop.
O mais óbvio sinal do molde pop dado ao longa é o trio, já concebido de primeira como de galãs-musculosos-e-nada-talentosos, trabalhando bem nas cenas de lutas/batalhas (dublês foram pouco utilizados), e nas mais dramáticas sendo dignos de uma boa risada. Brad Pitt (como Aquiles) faz jus à expressão, com alguns momentos OK e outros beirando o ridículo. Orlando Bloom (como Paris) só beira o ridículo, o pior dos três disparado, e nas cenas de batalhas não faz nada que seu Legolas já não tenha feito. Eric Bana (como Heitor) é que fica um pouco acima da média, embora não saia do clichê para o tipo de personagem. Depois vem a (belíssima) Diane Kruger, atriz escolhida para interpretar uma linda e desejada mulher, pretexto para uma guerra entre gregos e troianos ser travada. Opa, Helena. Sim, mas Diane fez uma linda e desejada, sem esforço. Há pelo menos os bons coadjuvantes, em boas participações (Brian Cox, Peter O'Toole, Brendan Gleeson) ou bem pequenas (Sean Bean, Saffron Burrows, Julie Christie), interpretando quem quer que seja, não deixando totalmente ausente tal aspecto clássico do gênero.
São aspectos clássicos do gênero, aliás, que ajudam no resultado final deste longa, aliados com o que é pop. Muitos clichês são bem utilizados, funcionam. As cenas de lutas/batalhas são das mais realistas e bem filmadas em épicos, mesmo nunca sendo novidade. Um exemplo disso é a luta entre Aquiles e Heitor que, como em poucos filmes do gênero (o que é absurdamente incrível), realmente passa a sensação de perigo, como deve passar. Não parece artificial, ensaiada. A violência é, em alguns momentos, explícita, mas é revelada sem causar choque. Petersen acaba envolvendo o espectador já antes de mostrá-la (a única exceção é a cena inicial, muitíssimo bem filmada, que surpreende). Os efeitos especiais são bem discretos, perto de outros épicos. A boa direção de arte tenta dar um ar de moderno, principalmente nos figurinos, mas resgata o clássico nos cenários e nas armas de guerra. A fotografia de Roger Pratt colabora com a grandeza do filme, nos takes longos, que percorrem as locações a todo o momento, outro aspecto clássico bem compreensível.
O que pode ser considerado incompreensível é a troca que o diretor (que pensem os ingênuos) e os executivos da Warner (que pensem os espertos) optaram por fazer em relação a trilha sonora original: uma autêntica composição de Gabriel Yared (disponível em seu site oficial), que em certos momentos soa clássica, ou como trilhas de épicos antigos, mas sempre com um toque especial, por uma medíocre composição de James Horner, que reaproveita muito de outros temas seus, e ainda da trilha rejeitada, usando o mesmo coro de vozes da composição de Yared, inclusive. Em alguns momentos a mediocridade é acentudada por trechos óbviamente produzidos em teclado, ou qualquer coisa parecida à disposição, nas duas semanas que ele teve para concluir a trilha substituta. Tudo por causa de meia-dúzia de comentários negativos, que o pessoal lá do início do parágrafo pensou que iriam se multiplicar a partir da estréia mundial na telona.
De qualquer maneira, tudo o que Petersen e, principalmente, a Warner esperam é um público maior atingido nas bilheterias, claro. Mas, ao contrário de muitos épicos com a mesma tentativa (algumas vezes fracassada, outras não), o filme em si não é totalmente prejudicado. E é principalmente isso que o faz ser um épico pop definitivo, embora não o faça ser um épico definitivo, ou então excelente.
Graças ao filme do Petersen, porém, ainda nos resta esperanças.

Escrito por LFM às 23h38
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ANGELS IN AMERICA - A Estréia

Acabei de ver a primeira parte da minissérie. E que audácia da HBO Brasil dividi-la em duas partes com três capítulos a cada Domingo (isso porque, no penúltimo Domingo do mês, eles vão estrear Carnivale). Quando começou, meio lento (e somente nos créditos finais que notei, era Meryl Streep fazendo um velho judeu, impagável) já pensei: 3 horas... vai ser f.o.d.a. Mas passaram razoávelmente rápido. Na verdade são 2h40min.
Os três primeiros capítulos são cheios de conflitos e atuações exageradas (e muito boas) do trio estrelar que encabeça o elenco, além dos coadjuvantes. Jeffrey Wright, Justin Kirk e Mary-Louise Parker estão ótimos. Pacino tem momentos pra cacete aqui. Fãs do cara vão se deliciar. Outro destaque é a trilha sonora de Thomas Newman.
Enfim, apesar de alguns diálogos, aqui e ali, muito intelectualóides, está muito bem contada a história, discutindo o preconceito, religião e a política "manda para de baixo do tapete" da época (década de 80), que não é muito diferente da política de hoje.
Domingo que vem, estarei vendo a parte 2.
Escrito por LFM às 00h05
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"Viajando por viajar... e abençoados por isto".

Temos aqui uma exelente obra, e que vai fazer muitos jovens entenderem um pedaço importante da trajetória de vida de alguém que está seus pôsters e quadros, estampada em suas camisas, sem motivo muito aparente.
A já conhecida (e real) história sobre a viagem dos amigos Ernesto "El Fuser - Che" Guevara de la Serna (Gael García Bernal) e Alberto Granado (Rodrigo de la Serna, opa, olha o sobrenome da família), iniciada em terra natal (Buenos Aires), junto à querida moto de Granado, La Poderosa, e terminada num leprosário administrado por freiras em San Pablo, trecho da Amazônia situado no Perú, passando por lugares como a Cordilheira dos Andes e Machu Pichu, já narrada em livros escritos por eles, é extremamente bem contada por Jose Riviera (boa estréia, para cinema, de quem até então era roteirista apenas de séries como Night Visions e filmes para a TV) e Walter Salles (já expert em trabalhar com personagens cativantes, honestos, ativos, sofridos, latinos), nesta versão cinematográfica que compete no festival de Cannes deste ano.
Filmada inteiramente nas belas (e nas não tão belas) locações por onde Guevara e Granado passaram (com atores locais de cada país), e retratada com total realismo e muita sensibilidade, Diários de Motocicleta mostra gradativamente o amadurecimento, o quanto os lugares e as pessoas que estavam em seus caminhos mudaram a vida de um bioquímico nos seus 30 e, principalmente, de um estudante de classe média, quase formado em Medicina, nos seus 24, e o quanto a grande amizade entre eles é ainda fortalecida, mesmo quando eles percebem que podem tomar rumos diferentes, com um mesmo ideal.
Obviamente excelente foi a escolha da dupla para interpretar os dois amigos. Gael, que transmite muito bem a honestidade que havia em Che, e Rodrigo (parentesco com um, mas semelhança física com outro) que exprime todo o carisma que havia (e há) em Gordo, funcionam perfeitamente em todas as cenas, juntos ou não. O roteiro também ajuda bastante neste aspecto, os diálogos fluem da melhor maneira possível.
A fotografia de Eric Gautier, que se destaca tanto na beleza das locações quanto nos momentos em que o enfoque passa a ser a humilde gente das mesmas, e a montagem de Daniel Rezende estão bem 'na moda', mas não estariam melhores de outra forma. A trilha sonora original de Gustavo Santaolalla (compositor das trilhas de Amores Pierros e 21 Grams), bastante latinizada, sem inovar, também encaixa perfeitamente.
Walter Salles já provou que é um ótimo realizador, sem precisar ser inovador (ou se achar inovador, como a maioria atualmente) e agora prova que continua sendo excelente, não importando a lingua predominante de seus filmes. Aqui os 130 minutos voam. Mas é bom que ele continue com essa liberdade que tem nos seus projetos, e que em seu próximo (refilmagem de Dark Water, vejam só o risco que o cara corre) não comece a sucumbir à pressão dos grandes estúdios, em produções hollywoodianas.
O ano de 2004 nos apresenta, junto com as habituais bombas, mais um grande filme.
Viva.

PS - O último take, mostrando o verdadeiro Alberto Granado, termina com chave de ouro esta obra quase irretocável.
Escrito por LFM às 18h09
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PROCURA-SE MÁ ADESTRADORA
 
Atenção: donos dos animais de estimação semelhantes ao da foto à esque... quer dizer, direita superior.
Adestradora e esposo pagos por vocês têm estranho fetiche. Fotografam-se à companhia deles, encolerados, ou praticando outras atividades, ilegais.
Aos que sentem-se lesados, comunicar ao secretário de defesa de seu país, antes que ele perca o cargo.
Escrito por LFM às 01h16
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Vilão mais tosco do século XXI / Terra de sonhos que não se realizam / Aventura que dá sono
  
Velozes e risíveis
Sr. Robert Harmon quis fazer de Velozes E Mortais uma mistura de elementos de seu The Hitcher com alguns de Encurralado e com outras tosquíces, e ainda levou tudo a sério, achando que daria certo. Há duas décadas atrás, até que daria. Hoje, só sobram risos a cada momento que vemos o Fargo, feito por Colm Feore.
As cenas de perseguição na primeira metade do filme são boas, mas pouco ajudam. A verdade é que ele não parece ter criatividade para outra coisa. Não vi They, mas deve ser um belo de um trabalho de piloto automático, assim como o decepcionante último episódio de Taken.
E o Caviziel, que agradeça ao Gibson por um último fôlego em sua carreira (ele já voltará a agonizar com seu próximo filme). Rhona Mitra é linda, mas limitadíssima. Deve continuar fazendo pontas à la O Homem Sem Sombra, ou filmes mais B que esse.

Recomeçando
Sr. Jim Sheridan (cujo resto da filmografia preciso ver urgentemente) dirige uma singela obra, obviamente pessoal, sobre um casal e duas filhas que, depois da perda do filho caçula (que é bem explorada, sem necessitar de flashbacks bobos interrompendo a história), decidem sair da Irlanda e recomeçar a vida na "América", lutando para conseguirem trazer de volta a luz que existia na família antes do incidente.
Tudo pelo ponto de vista de Christy (Sarah Bolger), filha mais velha, com sua câmera de vídeo (onde os momentos mais felizes e mais tristes da família são gravados e vistos), retratada da maneira mais pura, sincera e (acredite) adulta possível. Você consegue entender os problemas de cada personagem, mesmo quando não sabe a origem dos mesmos (principal exemplo: personagem de Djimon Hounson), e os seus sofrimentos, mesmo quando dificilmente são expressados (principal exemplo, personagem de Paddy Considine). Sheridan tem uma visão otimista do povo americano, em especial uma parte mais humilde, e outra mais problemática (viciados, etc). Como tudo é baseado em experiências pessoais, dele, de irmão e filhas, deve haver uma boa porção de verdade. Não posso criticar negativamente isto. É até bom.
As interpretações de todos os atores em Terra de Sonhos são, no mínimo, boas, e fazem todo o sentido, inclusive a do Paddy Considine, como Johnny, com suas loucuras e as dificuldades de um ator amador, e seu amor à família. Djimon e Samantha Morton estão excelentes, assim como as meninas Sarah e Emma Bolger.
Extremamente cativante. Um dos melhores do ano até o presente momento.

Nossa, quantos efeitos... Nossa, quanta ação... Nossa, cadê a história... Nossa, que cabelo ridículo esse do Hugh Jackman...
Sr. Stephen Sommers... Eh... Peraí.
Vou confessar: gosto muito dos dois filmes da série 'A Múmia'. Tenho até o DVD do segundo. Vejo neles mais do que diversão passageira. Mas deve ter sido a escolha do elenco, sei lá. Van Helsing vai na mesma fórmula desses dois filmes e na sua maioria é extremamente bocejante.
Tem uma ótima cena inicial, em preto e branco, numa boa sacada homenageando os filmes de terror das primeiras décadas do século passado. Depois, uma aparente ótima cena co-protagonizada pelo Mr. Hyde. Estou finalmente lendo O Médico E O Monstro, que tenho (por curiosidade, já que não tem como o livro surpreender) e não gostei nem um pouco do que fizeram em A Liga Extraordinária. Pois aqui a coisa é pior. Ele é disperdiçado ali mesmo. Aliás, todos exceto o Drácula, são disperdiçados (marketing enganoso, alguém?) no filme. A partir dalí, o 'estilo Sommers' se faz notar, mesmo que não dando certo desta vez. O que se segue são diálogos idiotas, total incoerência com a história original de qualquer personagem, humor pouco e mal aplicado, além das cenas de ação/aventura bem interessantes, mas ao longo do filme cada vez menos empolgantes. A cena final é hiper-desnecessária e a mais ridícula possível, pelo menos considerando a forma com a qual o resto do filme é encarado pelo Sommers.
O elenco fica no 'nada atrapalha, tampouco ajuda', com uma (mais uma vez) linda, limitada e com sotaque irritante Kate Beckinsale, e um (mais uma vez) sem carisma Hugh Jackman. O pouco de brilho reside no elenco de apoio. Aliás, arranjaram alguém com uma cara bem parecida com a do Peter Boyle para fazer o Frankenstein, em?
Voltando ao começo: Sr. Stephen Sommers... ainda tem muito o que aprender.

Escrito por LFM às 20h15
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Falta pouco...
 
 
 
 
...para a estréia desta prestigiada minissérie no Brasil. Nichols, Pacino, Streep, Thompson, 5 Golden Globes... Né mole não.

Dia 9, estarei ligado.
Escrito por LFM às 18h52
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FILMES VISTOS EM ABRIL
Esperaria mais um pouquinho, mas como só vi um filme no dia 30 (de manhã cedo), e devo ver outro(s) de madrugada (tá virando rotina... preciso pra ontem arranjar o que fazer), que já é do dia 1º, vou com a lista agora:
Em itálico: filmes revistos.
NO CINEMA
Confidence - O Golpe Perfeito - *** A Janela Secreta - *** Kill Bill - Vol. 1 - ***** Madrugada Dos Mortos - **** Mar De Fogo - *** Roubando Vidas - * Scooby Doo 2: Monstros À Solta - **
EM CASA
Alma De Herói - *** Amarelo Manga - * Anos Loucos - *** Antes Do Amanhecer - ***** As Bodas - *** O Clube Do Imperador - *** As Confissões De Schmidt - ***** O Dia Dos Mortos - *** E Sua Mãe Também - ***** A Enfermeira Betty - **** A Estrada Da Vida - ***** Fuga Para Odessa - **** O Garoto - ***** Harry & Sally: Feitos Um Para O Outro - ***** O Homem Que Não Vendeu Sua Alma - **** Hysterical Blindness - *** Intriga Internacional - ***** Jimmy Bolha - *** A Morte Lhe Cai Bem - **** Ned Kelly - * A Noite Americana - ***** A Noite Dos Mortos-Vivos (1968) - ***** O Pagamento Final - ***** Psicose (1960) - ***** Secretária - *** Segredos Do Coração - *** Síndrome De Caim - *** Stuart Little 2 - *** A Última Missão - ***
Total: 36 filmes.
Pensava que tinha visto mais... Impressão minha, foi que nem Março. Nem foi tanta coisa, perto de Janeiro e Fevereiro. E ainda não vi Sonhos. Mas de Maio não passa. Vamos agora às minhas escolhas:
Melhor filme visto no cinema: Kill Bill - Vol. 1 Pior filme visto no cinema: Roubando Vidas
Bem óbvias as escolhas, considerando as cotações que dei para os filmes vistos no cinema e os comentários que fiz dos dois filmes neste blog.
*Melhor filme visto em casa: A Noite Americana *Pior filme visto em casa: Ned Kelly
Aí a coisa ficou mais difícil. O filme do Truffaut passou, por pouco, de obras-primas como o filme de Fellini, o de Chaplin, o de Linklater, o de Romero, o de Alexander Payne e o de Alfonso Cuarón. Já Ned Kelly só teve de batalhar com o sensacionalismo barato disfarçado de filme, de Cláudio Assis, para conseguir o posto.
É isso aí. Maio eu começo vendo Terra De Sonhos. Agora, se vocês ainda acessam esse blog, comentem, porra!
* Filmes revistos não são considerados.
Escrito por LFM às 00h26
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